O Programa Vocacional oferece orientação artística para o público acima de 14 anos em equipamentos da Secretaria Municipal da Cultura e Economia Criativa e nos CEUs da Secretaria Municipal da Educação de São Paulo. Além dos encontros semanais, o Vocacional também realiza ações culturais complementares, atividades de vínculo e intervenção nos territórios da cidade, complementando os processos artístico pedagógicos com as turmas e/ou grupos atendidos pelo projeto.
A prática pedagógica foi desenvolvida no Centro Cultural Vila Itororó e na Biblioteca Pública Amadeu Amaral fundamentando-se, primordialmente, na escuta ativa das pessoas vocacionadas. Ao colocar as vontades e inquietações dos participantes no centro do processo criativo, a mediação artística permitiu que as técnicas surgissem como respostas aos interesses de cada grupo. Na Vila Itororó, essa abertura ao diálogo resultou em uma investigação voltada à aquarela e à ressignificação da imagem por meio do bordado em fotografia. Já no contexto da Biblioteca Amadeu Amaral, a produção concentrou-se nas linguagens da pintura e do desenho, reafirmando o compromisso com uma educação estética que valoriza a autoria e a subjetividade no fazer artístico.
Ao final das orientações, as pessoas vocacionadas puderam participar de uma mostra final no Centro Cultural Olido.
A prática pedagógica desenvolvida no Centro Cultural Vila Itororó pautou-se por uma mediação que integrou a escuta ativa ao repertório da arte contemporânea, utilizando como referência a produção têxtil de artistas como Sonia Gomes e Rosana Paulino. O principal desafio metodológico residiu na construção de uma noção de composição que harmonizasse a sobreposição de linguagens, articulando a fluidez da aquarela e a gestualidade do giz pastel seco sobre tecido com o rigor do bordado em fotografia. Nesse processo, o grupo — composto espontaneamente apenas por mulheres — transformou o ateliê em um espaço de trocas subjetivas, onde o fazer manual serviu como ferramenta de diálogo. A experiência foi ampliada por uma visita à exposição Mulheres Atingidas por Barragens: bordando direitos, no MASP, que funcionou como disparador poético para o desenvolvimento de obras autorais. Um dos desdobramentos significativos dessa imersão foi a produção de uma das vocacionadas, que utilizou o bordado para ressignificar fotografias de sua própria autoria, registradas durante a construção da Usina de Belo Monte, consolidando a união entre memória política, técnica e sensibilidade artística.

Na Biblioteca Pública Amadeu Amaral, o engajamento de adolescentes e jovens adultos transcendeu as aulas, consolidando-se em visitas a exposições e encontros formativos. A partir do hábito individual do desenho em cadernos, o grupo foi incentivado a explorar a pintura coletiva em grandes formatos, demandando consciência corporal e respeito ao trabalho em conjunto. Embora também tenham experimentado o bordado de forma individualizada, o foco principal residiu na transição da escala íntima para a composição compartilhada, transformando o aprendizado técnico em um exercício de convivência e autoria coletiva.

A mostra final consolidou-se como uma etapa pedagógica fundamental, na qual as pessoas vocacionadas protagonizaram o processo de montagem e desenvolveram noções básicas de curadoria. A atividade promoveu uma análise crítica sobre a composição do espaço e a influência estética mútua entre as obras expostas. O ciclo foi encerrado com uma discussão coletiva sobre as trajetórias individuais, permitindo que os participantes elaborassem reflexões sobre os desdobramentos subjetivos e técnicos vivenciados ao longo de todo o percurso artístico.



































